Desde início meus trabalhos são voltados para a colagem. No começo usava só papel (xerox, revistas, livros escolares) que eram bem próximos segundo ao gênero. As primeiras colagens lembram um pouco os trabalhos de Heartfield. Pela temática de cunho provocativo/ político e a estética de fotomontagens que criavam cenas e situações absurdas. Após algum tempo, perdi o interesse por este tipo de colagem que me parecia muito ilustrativo e gráfico nestes trabalhos. Passei a experimentar outros elementos e diferentes técnicas para fazer colagem. Estas passam a ser compostas de papelão, revista, jornal, xerox, folders, cartazes, decalques e também sofrem interferências da serigrafia, desenho e moldes vazados. Sinto interesse pela a apropriação e a sobreposição de elementos. Onde se criam camadas de diferentes extratos e surgem transparências, texturas de acordo com as propriedades dos materiais inseridos. Nestes trabalhos iniciais há um excesso tanto no material quanto nas ações, que transmitem ansiedade na busca. São tantos procedimentos sobrepostos que não são raros os trabalhos se perderem durante o processo.
Em um momento posterior, incluo às colagens, pequenos objetos como parafusos, pregos e lascas de madeira. Para dar sustentação a estes, é necessária uma base mais rígida. Assim, o suporte que já carrega elementos, como cor, forma, materialidade, começou a ganhar importância dentro da minha pesquisa. Passo a me apropriar das informações que ele já traz para compor os trabalhos. Surge também à possibilidade de interferir diretamente sobre o suporte provocando mudanças físicas alternando seu formato e superfície através de incisões, com cortes e produtos químicos que reagem em contato com o suporte.
Surgiram alguns trabalhos nos quais uso algumas chapas de ferro, encontradas no lixo. Para serem usadas como base de minhas colagens e serigrafias. Estas chapas, em geral, estão em estado de decomposição e são usadas da maneira em que são encontradas. Chama-me a atenção como o suporte integra, compõem e reage aos elementos que são agregados a ele. Durante o tempo que o suporte se desfaz se vê uma constante mudança do trabalho. Os últimos trabalhos que realizei foram utilizando madeira. Fiz algumas composições levando em consideração as características que o suporte já me trazia como cor, tamanho e vestígios de suas antigas funções. Sobre a madeira realizei sobre a madeira interferências diretas sobre o material utilizando diversos tipos de ferramentas. Faço incisões, que remetem ao gesto e deixam o rastro dos objetos que foram utilizados para faze-los. Este interesse reforça um interesse cada vez maior em registrar as ações feitas. Algo em que ainda tenho que pensar.





